Você consegue ver um filme e não lembrar?
É como um espelho. Uma história familiar. A saga é minha, é sua, é nosso tempo. Estão lá nossos sentimentos, pensamentos, ações e desejos. Tenho visto alguns e eles me mostram o quanto é humano viver o que eu vivi. Se esquecemos por vezes e nos repetimos, é só por ser uma boa hora de revermos o filme. Algumas vezes só bastava uma cena, uma fala ou um jogo de luzes. Outras vezes, apenas a música.
Você consegue ouvir uma música e esquecer?
É como o eco. Uma voz vinda do peito. Uma voz cantada por mim e por você. Ouço um suspiro, um grito, um sussurro, uma melodia que me encanta. Toda música é uma ode e toda ode é uma homenagem. Homenagear o amor, a solidão, a volúpia, a geração. A sociedade, o fim dos tempos, as guerras, os dias a mais, a esperança, a tortura, o belo, o infinito... E ouvir os CD's por mais exaustivo que seja, pela repetição, nos trás sempre o que sentimos da primeira vez. E as figuras e imagens que vêm às nossas cabeças.
Você desenha?
Eu sim. E tenho desenhado muito. Aprendi muito em pouco tempo e continuo melhorando. Desenho paisagens, edifícios, sombras e luz. Nas mãos o lápis, a caneta, o carvão, a tinta, as canetas e lápis de cor, o papel. O traço reflete minhas intenções, as cores, minhas emoções, a luz e a sombra mostram meus pensamentos.
Só pela empatia a arte tem serventia. Tanto a arte consumida, quanto a produzida nos faz lembrar de momentos. A vida, e aí, é isso, são os momentos. E cada um tem seu cheiro, cor, som, sabor e sentimentos. Por isso tudo vale, se o que quisermos for viver.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
domingo, 26 de dezembro de 2010
Poema do ano
E quando tudo era perfeito
Ou quando tudo era errado
Quando éramos iguais
Ou estávamos despreparados
Se eu tinha tudo em mãos
era às vezes desperdiçado
Mas não se deixe permitir
Porque tudo pode estar parado
Esqueço o que a dor é
Qual seria sua tormenta
Sua forma de prazer
Sua água benta
Quantos fazem o amor parar
e quem a própria dor arrebenta
pode ser que um dia acabe
Ou pelo menos é o que se tenta
Sabe o odor do ofício?
O cheiro de mesmo
O cheiro do vício?
Pois é o que me corrói aqui
Mas enfim, o que me faz seguir
Tolerância em dobro não é virtude
Antes é preguiça
Minhas areias-movediças
Soro de hospital
Sonho de natal
Vésperas de ano novo
Meu fígado é de um corvo
Sério e sem graça
Digo, desgraça
Porque não há mal nenhum
No fim de tudo, sem motivos não rimar
Ou quando tudo era errado
Quando éramos iguais
Ou estávamos despreparados
Se eu tinha tudo em mãos
era às vezes desperdiçado
Mas não se deixe permitir
Porque tudo pode estar parado
Esqueço o que a dor é
Qual seria sua tormenta
Sua forma de prazer
Sua água benta
Quantos fazem o amor parar
e quem a própria dor arrebenta
pode ser que um dia acabe
Ou pelo menos é o que se tenta
Sabe o odor do ofício?
O cheiro de mesmo
O cheiro do vício?
Pois é o que me corrói aqui
Mas enfim, o que me faz seguir
Tolerância em dobro não é virtude
Antes é preguiça
Minhas areias-movediças
Soro de hospital
Sonho de natal
Vésperas de ano novo
Meu fígado é de um corvo
Sério e sem graça
Digo, desgraça
Porque não há mal nenhum
No fim de tudo, sem motivos não rimar
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Geração Instantânea
A cada segundo escutando, está perdendo o tempo. Mil coisas sem fazer porque ouviu uma música. Se em três acordes não se resumir uma idéia, não vale a pena.
É o tempo do consumo e da praticidade, diga logo o que quer contar, sejamos diretos. E faça uma melodia fácil de guardar. Pode falar de amor, de liberdade ou revolta, contanto que no fundo, no fundo seja mentira. Só pra sentir o que está na canção e achar que sou eu e assim sossegar, como se estivesse junto de tudo, fazendo parte daquilo, em empatia forjada. Música ouvida, volta ao dia a dia, achando o caminho perfeito pra auto-piedade. Se torna mais fácil a conformação.
Só não se esqueça que o tempo é curto e solos e coisas do tipo me fazem perder a métrica, o pulso da rotina e a cadência acinzentada. E que frases repetidas, fora o refrão, dão vontade de passar e começar logo a próxima faixa.
A tolerância ainda é grande! Pois nem é como se pedisse que "se vire nos 30", contanto que não sejam também mais de quatro minutos. Aí já é exagero porque a minha geração é Fastfood.
É o tempo do consumo e da praticidade, diga logo o que quer contar, sejamos diretos. E faça uma melodia fácil de guardar. Pode falar de amor, de liberdade ou revolta, contanto que no fundo, no fundo seja mentira. Só pra sentir o que está na canção e achar que sou eu e assim sossegar, como se estivesse junto de tudo, fazendo parte daquilo, em empatia forjada. Música ouvida, volta ao dia a dia, achando o caminho perfeito pra auto-piedade. Se torna mais fácil a conformação.
Só não se esqueça que o tempo é curto e solos e coisas do tipo me fazem perder a métrica, o pulso da rotina e a cadência acinzentada. E que frases repetidas, fora o refrão, dão vontade de passar e começar logo a próxima faixa.
A tolerância ainda é grande! Pois nem é como se pedisse que "se vire nos 30", contanto que não sejam também mais de quatro minutos. Aí já é exagero porque a minha geração é Fastfood.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Surto à Sós
Quem não vir a porta aberta
Ou os que vão ver pela fresta
Só enxergar o vão da porta
Ter visão em vão, morta
Não viver a vida alheia
Nem vazia, nem cheia
Posso lhe contar estórias
Ou andar por outras bandas
Mas não penso em desistir agora
Pois negar o que foi dado
E enganar, viciar os dados
Só consigo me entender, mas sem me explicar
Quero uma vida boa, ficar a toa
Estando sempre aberto e na proa
Não sai nada do vinil antigo
Mesmo o som, um bom amigo
Nada... que de enorme oco
Ecoa
Não terei você pra sempre
Me agradando e dizendo suas loucuras
Perdi a flor que carregava na lapela
Mais fácil era levar uma pedra
Sem descoser o algodão
E as velas de um navio a desembarcar
Partem da bonança
De uma vida sem lembrança
Bebo eu e meus amigos
Para deles me afastar
Pois os livros são inimigos
Daqueles que não posso gostar
As palavras que estão dispostas
São pra quem quiser viajar
Ou os que vão ver pela fresta
Só enxergar o vão da porta
Ter visão em vão, morta
Não viver a vida alheia
Nem vazia, nem cheia
Posso lhe contar estórias
Ou andar por outras bandas
Mas não penso em desistir agora
Pois negar o que foi dado
E enganar, viciar os dados
Só consigo me entender, mas sem me explicar
Quero uma vida boa, ficar a toa
Estando sempre aberto e na proa
Não sai nada do vinil antigo
Mesmo o som, um bom amigo
Nada... que de enorme oco
Ecoa
Não terei você pra sempre
Me agradando e dizendo suas loucuras
Perdi a flor que carregava na lapela
Mais fácil era levar uma pedra
Sem descoser o algodão
E as velas de um navio a desembarcar
Partem da bonança
De uma vida sem lembrança
Bebo eu e meus amigos
Para deles me afastar
Pois os livros são inimigos
Daqueles que não posso gostar
As palavras que estão dispostas
São pra quem quiser viajar
Antigas Palavras II
APOSTA
Eu já cobri sua aposta e aumentei com tudo meu
Você cobriu sem aumentar, só pra ver antes do que eu
Com humildade eu abaixei a minha mão com um par de reis
Já te mostrei as minhas mangas, não há cartas, não roubei
Parece até ser humilhante, um par em uma mão tão grande
Mas digo que na vida o simples é o mais importante
...
BUSCAS
Procure o seu ideal
Cada um com o seu
Cada qual
Todos são guias de si
Porque o que você quer
Não se pode inibir
Eu já cobri sua aposta e aumentei com tudo meu
Você cobriu sem aumentar, só pra ver antes do que eu
Com humildade eu abaixei a minha mão com um par de reis
Já te mostrei as minhas mangas, não há cartas, não roubei
Parece até ser humilhante, um par em uma mão tão grande
Mas digo que na vida o simples é o mais importante
...
BUSCAS
Procure o seu ideal
Cada um com o seu
Cada qual
Todos são guias de si
Porque o que você quer
Não se pode inibir
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Moça-fel
Muito bem escovado
Acho que não o cabelo
Mas o sorriso acordado
Era a sua capacidade de ir
Ao trabalho ou à faculdade
Ou a todos os seus encontros
Procurando o ponto fraco dos outros
Sua saída era a contramão
Só que os gestos de suas mãos inglesas
Oprimiam com um não
Sem ter pra onde ir
Nem ninguém pra lhe perdoar
Mais fácil era sorrir
Na hora que fosse pra se chorar
Dia inteiro sem comer
Uma barra de cereais seria um prazer
Vaidade que destrói por dentro
Mostrando por fora um falso monumento
Muito bem escovados
Acho que não os seus dentes
Mas seus cabelos cansados
Acho que não o cabelo
Mas o sorriso acordado
Era a sua capacidade de ir
Ao trabalho ou à faculdade
Ou a todos os seus encontros
Procurando o ponto fraco dos outros
Sua saída era a contramão
Só que os gestos de suas mãos inglesas
Oprimiam com um não
Sem ter pra onde ir
Nem ninguém pra lhe perdoar
Mais fácil era sorrir
Na hora que fosse pra se chorar
Dia inteiro sem comer
Uma barra de cereais seria um prazer
Vaidade que destrói por dentro
Mostrando por fora um falso monumento
Muito bem escovados
Acho que não os seus dentes
Mas seus cabelos cansados
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Noite Loba
O lobo solitário, ele espreita a noite. Sua pele é o frio escuro da mata. Sua alma está em seus olhos, seu espírito é revolto como a nuvem rápida e negra, imperceptível no ar. A caça, tem para si, se mostra como única opção, quando tudo mais não existe.
Quando ele se move, sua passagem é lenta, fria, calculada. O erro é a morte, a segurança, uma armadilha dissimulada. Poderia se esconder do próprio reflexo no espelho. A colina, o escuro, a solidão. É casa. Lado a lado com a Infalível, sabe que acreditar em algo além de si próprio não vale a pena.
Seus olhos se prendem num objetivo, único objetivo, única existência em todo o universo, é o foco. A respiração é ritmada e precisa, coração prestes a receber adrenalina num pulo. Os pelos eriçados, o corpo tenso e narinas dilatadas. Apenas um momento, acabou. E mais uma vez volta a ser noite.
Quando ele se move, sua passagem é lenta, fria, calculada. O erro é a morte, a segurança, uma armadilha dissimulada. Poderia se esconder do próprio reflexo no espelho. A colina, o escuro, a solidão. É casa. Lado a lado com a Infalível, sabe que acreditar em algo além de si próprio não vale a pena.
Seus olhos se prendem num objetivo, único objetivo, única existência em todo o universo, é o foco. A respiração é ritmada e precisa, coração prestes a receber adrenalina num pulo. Os pelos eriçados, o corpo tenso e narinas dilatadas. Apenas um momento, acabou. E mais uma vez volta a ser noite.
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