A cada segundo escutando, está perdendo o tempo. Mil coisas sem fazer porque ouviu uma música. Se em três acordes não se resumir uma idéia, não vale a pena.
É o tempo do consumo e da praticidade, diga logo o que quer contar, sejamos diretos. E faça uma melodia fácil de guardar. Pode falar de amor, de liberdade ou revolta, contanto que no fundo, no fundo seja mentira. Só pra sentir o que está na canção e achar que sou eu e assim sossegar, como se estivesse junto de tudo, fazendo parte daquilo, em empatia forjada. Música ouvida, volta ao dia a dia, achando o caminho perfeito pra auto-piedade. Se torna mais fácil a conformação.
Só não se esqueça que o tempo é curto e solos e coisas do tipo me fazem perder a métrica, o pulso da rotina e a cadência acinzentada. E que frases repetidas, fora o refrão, dão vontade de passar e começar logo a próxima faixa.
A tolerância ainda é grande! Pois nem é como se pedisse que "se vire nos 30", contanto que não sejam também mais de quatro minutos. Aí já é exagero porque a minha geração é Fastfood.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Surto à Sós
Quem não vir a porta aberta
Ou os que vão ver pela fresta
Só enxergar o vão da porta
Ter visão em vão, morta
Não viver a vida alheia
Nem vazia, nem cheia
Posso lhe contar estórias
Ou andar por outras bandas
Mas não penso em desistir agora
Pois negar o que foi dado
E enganar, viciar os dados
Só consigo me entender, mas sem me explicar
Quero uma vida boa, ficar a toa
Estando sempre aberto e na proa
Não sai nada do vinil antigo
Mesmo o som, um bom amigo
Nada... que de enorme oco
Ecoa
Não terei você pra sempre
Me agradando e dizendo suas loucuras
Perdi a flor que carregava na lapela
Mais fácil era levar uma pedra
Sem descoser o algodão
E as velas de um navio a desembarcar
Partem da bonança
De uma vida sem lembrança
Bebo eu e meus amigos
Para deles me afastar
Pois os livros são inimigos
Daqueles que não posso gostar
As palavras que estão dispostas
São pra quem quiser viajar
Ou os que vão ver pela fresta
Só enxergar o vão da porta
Ter visão em vão, morta
Não viver a vida alheia
Nem vazia, nem cheia
Posso lhe contar estórias
Ou andar por outras bandas
Mas não penso em desistir agora
Pois negar o que foi dado
E enganar, viciar os dados
Só consigo me entender, mas sem me explicar
Quero uma vida boa, ficar a toa
Estando sempre aberto e na proa
Não sai nada do vinil antigo
Mesmo o som, um bom amigo
Nada... que de enorme oco
Ecoa
Não terei você pra sempre
Me agradando e dizendo suas loucuras
Perdi a flor que carregava na lapela
Mais fácil era levar uma pedra
Sem descoser o algodão
E as velas de um navio a desembarcar
Partem da bonança
De uma vida sem lembrança
Bebo eu e meus amigos
Para deles me afastar
Pois os livros são inimigos
Daqueles que não posso gostar
As palavras que estão dispostas
São pra quem quiser viajar
Antigas Palavras II
APOSTA
Eu já cobri sua aposta e aumentei com tudo meu
Você cobriu sem aumentar, só pra ver antes do que eu
Com humildade eu abaixei a minha mão com um par de reis
Já te mostrei as minhas mangas, não há cartas, não roubei
Parece até ser humilhante, um par em uma mão tão grande
Mas digo que na vida o simples é o mais importante
...
BUSCAS
Procure o seu ideal
Cada um com o seu
Cada qual
Todos são guias de si
Porque o que você quer
Não se pode inibir
Eu já cobri sua aposta e aumentei com tudo meu
Você cobriu sem aumentar, só pra ver antes do que eu
Com humildade eu abaixei a minha mão com um par de reis
Já te mostrei as minhas mangas, não há cartas, não roubei
Parece até ser humilhante, um par em uma mão tão grande
Mas digo que na vida o simples é o mais importante
...
BUSCAS
Procure o seu ideal
Cada um com o seu
Cada qual
Todos são guias de si
Porque o que você quer
Não se pode inibir
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Moça-fel
Muito bem escovado
Acho que não o cabelo
Mas o sorriso acordado
Era a sua capacidade de ir
Ao trabalho ou à faculdade
Ou a todos os seus encontros
Procurando o ponto fraco dos outros
Sua saída era a contramão
Só que os gestos de suas mãos inglesas
Oprimiam com um não
Sem ter pra onde ir
Nem ninguém pra lhe perdoar
Mais fácil era sorrir
Na hora que fosse pra se chorar
Dia inteiro sem comer
Uma barra de cereais seria um prazer
Vaidade que destrói por dentro
Mostrando por fora um falso monumento
Muito bem escovados
Acho que não os seus dentes
Mas seus cabelos cansados
Acho que não o cabelo
Mas o sorriso acordado
Era a sua capacidade de ir
Ao trabalho ou à faculdade
Ou a todos os seus encontros
Procurando o ponto fraco dos outros
Sua saída era a contramão
Só que os gestos de suas mãos inglesas
Oprimiam com um não
Sem ter pra onde ir
Nem ninguém pra lhe perdoar
Mais fácil era sorrir
Na hora que fosse pra se chorar
Dia inteiro sem comer
Uma barra de cereais seria um prazer
Vaidade que destrói por dentro
Mostrando por fora um falso monumento
Muito bem escovados
Acho que não os seus dentes
Mas seus cabelos cansados
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Noite Loba
O lobo solitário, ele espreita a noite. Sua pele é o frio escuro da mata. Sua alma está em seus olhos, seu espírito é revolto como a nuvem rápida e negra, imperceptível no ar. A caça, tem para si, se mostra como única opção, quando tudo mais não existe.
Quando ele se move, sua passagem é lenta, fria, calculada. O erro é a morte, a segurança, uma armadilha dissimulada. Poderia se esconder do próprio reflexo no espelho. A colina, o escuro, a solidão. É casa. Lado a lado com a Infalível, sabe que acreditar em algo além de si próprio não vale a pena.
Seus olhos se prendem num objetivo, único objetivo, única existência em todo o universo, é o foco. A respiração é ritmada e precisa, coração prestes a receber adrenalina num pulo. Os pelos eriçados, o corpo tenso e narinas dilatadas. Apenas um momento, acabou. E mais uma vez volta a ser noite.
Quando ele se move, sua passagem é lenta, fria, calculada. O erro é a morte, a segurança, uma armadilha dissimulada. Poderia se esconder do próprio reflexo no espelho. A colina, o escuro, a solidão. É casa. Lado a lado com a Infalível, sabe que acreditar em algo além de si próprio não vale a pena.
Seus olhos se prendem num objetivo, único objetivo, única existência em todo o universo, é o foco. A respiração é ritmada e precisa, coração prestes a receber adrenalina num pulo. Os pelos eriçados, o corpo tenso e narinas dilatadas. Apenas um momento, acabou. E mais uma vez volta a ser noite.
domingo, 24 de outubro de 2010
Olhos de Criança
Toda criação
Não tem sabor, nem pão
Toda semelhança
Corre com jeito de criança
Toda humilhação
É amenizada com esperança de paz
Toda tristeza
Se mostra na beleza do olhar
Parto do princípio
Que a sua voz é o precipício
Tento redobrar a atenção
Desde o início
Busco esse escuro
De tão puro está tão claro
Sem reincidência, sem clemência
Eu nem reparo
Venha querida
Ver minhas feridas
Lamba meus traços
Meus rastros, meus bêbados passos
Sinta que o olhar
Não pode falar quando quer guardar
Essa alma fechada está
E você não poderá entrar
Não tem sabor, nem pão
Toda semelhança
Corre com jeito de criança
Toda humilhação
É amenizada com esperança de paz
Toda tristeza
Se mostra na beleza do olhar
Parto do princípio
Que a sua voz é o precipício
Tento redobrar a atenção
Desde o início
Busco esse escuro
De tão puro está tão claro
Sem reincidência, sem clemência
Eu nem reparo
Venha querida
Ver minhas feridas
Lamba meus traços
Meus rastros, meus bêbados passos
Sinta que o olhar
Não pode falar quando quer guardar
Essa alma fechada está
E você não poderá entrar
Toda certeza dessa criação
Toda certeza que eu digo não
Esqueça tudo que eu falo
Tudo que eu digo, esqueça
Só venha me abraçar
Com essa sua doce presença
Seus cabelos a balançar
Com o vento
Que te acaricia
De uma simples canção
Eu sinto o ar, sinto o mar
Sento num coração
Devagar, sem pensar
Toco a beleza, toco a pureza
Toda certeza que eu digo não
Esqueça tudo que eu falo
Tudo que eu digo, esqueça
Só venha me abraçar
Com essa sua doce presença
Seus cabelos a balançar
Com o vento
Que te acaricia
De uma simples canção
Eu sinto o ar, sinto o mar
Sento num coração
Devagar, sem pensar
Toco a beleza, toco a pureza
Perco a tristeza do olhar
Sinto estranheza
Pois não é o meu lugar
Mais uma vez estando aqui
Vou me mudar
Pra sempre vou estar aqui
Eu sempre estarei a procurar
E tento uma chance
De um romance
Vamos dar as mãos
E vamos devagar
Vamos correr, vamos dançar
Pego o seu olhar
E boto nas estrelas
De uma noite sem luar
Sinto que não está tão presa
Em ti, aqui, quanto deveria estar
Mas é a cabeça que não deixa
Que não nega aquele olhar
Passo toda situação
Sinto que você quer um não
Busco na tristeza do olhar
Uma semelhança
Com o passado similar
Ao de uma criança
Toco no seu olhar
Ponho no seu altar
E vejo a planta crescer
E dar frutos pra tudo recomeçar
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Antigas Palavras
Nasce um falso dia bom
Pra esconder a cor do som
Já tão alto
É a mesma cor do pão
Sua base é a mão
Do pacato
Sou só um guardião
Do terror
Como seria bom
Compartilhar a dor
- - -
Acorda coração
Que já não é mais verão
Estamos no cordão
Da inexatidão
Pois temo que essa vida
Não possa nunca mais ser revivida
E que cada passo dado
Eternamente se torne passado
Venho de coração
A apertar sua mão
Mas sinto que na sua paz
Esteja escrito "jaz"
- - -
Vidas infelizes são vividas
Sonhos são passados para os filhos e netos
O dia nasce e a parede continua erguida
Todos se conhecem sem nenhum afeto
Não há cumprimentos numa van lotada
Mas escolho uma saudação para o celular
A preocupação em fazer hora extra
Mata o bem do filho, envenena o lar
Pra esconder a cor do som
Já tão alto
É a mesma cor do pão
Sua base é a mão
Do pacato
Sou só um guardião
Do terror
Como seria bom
Compartilhar a dor
- - -
Acorda coração
Que já não é mais verão
Estamos no cordão
Da inexatidão
Pois temo que essa vida
Não possa nunca mais ser revivida
E que cada passo dado
Eternamente se torne passado
Venho de coração
A apertar sua mão
Mas sinto que na sua paz
Esteja escrito "jaz"
- - -
Vidas infelizes são vividas
Sonhos são passados para os filhos e netos
O dia nasce e a parede continua erguida
Todos se conhecem sem nenhum afeto
Não há cumprimentos numa van lotada
Mas escolho uma saudação para o celular
A preocupação em fazer hora extra
Mata o bem do filho, envenena o lar
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