sexta-feira, 11 de maio de 2012

EU


Eu

Que aprendi a comer e engordar
A crescer e trabalhar
A ser chefe, mandar na família
A pedir o mesmo corte de cabelo
A sentar nos domingos e ler jornal

Sou presunçoso, mandão
Autoritário pai de família
Comedor de porco com feijão
Leitor da coluna de esportes

Passo tudo a meu filho
Que pára e observa
Que vê algo diferente
Mas chamo atenção no mesmo instante

Porque?
Ele tem que comer e engordar
Crescer e trabalhar
...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dois Lados

Ela olhava para ele de um jeito especial! Ela sabia que, na verdade, ele era tudo enfim que ela precisava ter. Ela reparava em tudo: o jeito, a forma de tratar as pessoas, a naturalidade entre os dois e se perguntava se poderia ficar ao lado dele por muito, muito tempo.
Ele gosta dela, ela sabe! E agora ela pode dizer o quanto ama aquele abraço, aquele beijo, aquele cabelo despenteado, aquelas palavras bobas que tanto a fazem rir e principalmente aquele jeito carinhoso extremo que só ele tem.
Em um determinado dia, ela quis falar. Ela queria mesmo, mas o medo da reação dela a impedia e a tornava mais angustiada. Foi quando ele falou! E a sensação que ela teve, ela nunca sentiu igual. O corpo estremeceu, os olhos quiseram chorar e a fala sumiu.
Então ela respirou fundo, olhou bem dentro dos olhos dele e retribuiu: "Eu amo você"!
Agora nada mais incomoda, porque tudo faz sentido e é perfeito quando ela está com ele...

. . .

Ele se mostrava com medo de tudo, sua cabeça era seu refúgio. Às vezes olhava pros dias e os dias passavam, passavam e ele não sentia nada. O dia quente, o vento fresco, a cor e o cheiro não estavam presentes, nada tinha valor.
Quando andava, via e sentia tudo. o mundo não havia sumido, as coisas tinham seu próprio sentido. Mas seu corpo mesmo era o que não se mostrava normal. Estava dormente, nada animava aquele ser, perambulava pelos movimentos que a vida fazia.
Mas então ela veio. E com ela veio o amor. Não que fosse avassalador. Mas era ainda melhor, com uma mistura de tensão e morosidade que o fazia se sentir muito bem.
Ela tinha o jeito certo, com as formas certas e a voz mais doce que ele já ouviu. Tinha mãos de carinho e cabelos de querer. Cheiro de se cheirar e boca daonde se beber. Olhos pra se voar dentro e perder o ar.
E assim ele volta à vida, vendo que tudo o deixa feliz, porque a pequena perfeita está do seu lado...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não Adianta (Zeca Baleiro)

Não adianta,
Não adianta nada ver a banda,
Tocando “A Banda” em frente da varanda,
Não adianta o mar,
E nem a sua dor.

Não adianta,
Não adianta o bonde, a esperança,
E nem voltar um dia a ser criança,
O sonho acabou,
E o que adiantou?

Não tenho pressa,
Mas tenho um preço,
E todos tem um preço,
E tenho um canto,
Um velho endereço,
O resto é com vocês,
O resto não tem vez.

O que importa,
É que já não me importa, o que importa,
É que ninguém bateu em minha porta,
É que ninguém morreu,
ninguém morreu por mim.

Não quero nada,
Não deixo nada, que não tenho nada,
Só tenho o que me falta e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.

Não adianta,
Não adianta o que não adianta,
Não é preciso, que não é preciso,
Então pra que chorar?
Então pra que chorar?

Quem está no fogo, está pra se queimar,
Então pra que chorar?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Revelada

Tom: G
G D Am C7
G D Am F F#

G                         D
Caminhando nas pedras
Am                      C
Meus pés encontraram a meta
G                       D
Sem a alma e o coração
Am               F      F#
Não iria dar tantos passos
G                    D
Tombos na escada só leva
Am                          C
Quem não sabe contar os degraus
G                      D
Tem que se deixar sempre aberta
Am                              F        F#
A porta de onde a luz vem pra me guiar

G     D              Am             F
Pois todo o tempo a correr
     C                                         C7
Devora as pegadas que acabei de deixar
G  D             Am                 F
E onde as mãos estão a ver
C                                  F               F#
Vai se descobrindo das cortinas da escuridão
G   D            Am  F
Se for possível irei voltar
     C                               C7
Te levo aonde for, te deixo sonhar
G   D               C              Am
Eu tenho que ver pra poder crer
          C7M       Em/B              Am F F# G
Se revele, se mostre, por favor

domingo, 16 de janeiro de 2011

Eu sempre quis fazer
Um som diferente
Com notas marcantes
E um ar de inteligente
Mas idéias boas
Há muito tempo não tenho
Escolho palavras
Por não ter lenha
Pra colocar
No fogo que me falta
Pra me fazer feliz
Pois o sentido
Sempre tá em falta
O que é que eu sempre quis?
Eu não sei

Eu me sinto vazio por dentro
Me falta um sentimento
É de noite que o medo vem
Quero meu lar, eu quero paz
E ver a vida se levar pra frente
Oportunidade pra quem faz
Faz a chance de mudar
Mas espero estar
É o vazio que é triste
A idéia vai, aonde o corpo não vai
A vida brinca a letra voa
Eu perco o fio e ela cai.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

vidArte

Você consegue ver um filme e não lembrar?
É como um espelho. Uma história familiar. A saga é minha, é sua, é nosso tempo. Estão lá nossos sentimentos, pensamentos, ações e desejos. Tenho visto alguns e eles me mostram o quanto é humano viver o que eu vivi. Se esquecemos por vezes e nos repetimos, é só por ser uma boa hora de revermos o filme. Algumas vezes só bastava uma cena, uma fala ou um jogo de luzes. Outras vezes, apenas a música.
Você consegue ouvir uma música e esquecer?
É como o eco. Uma voz vinda do peito. Uma voz cantada por mim e por você. Ouço um suspiro, um grito, um sussurro, uma melodia que me encanta. Toda música é uma ode e toda ode é uma homenagem. Homenagear o amor, a solidão, a volúpia, a geração. A sociedade, o fim dos tempos, as guerras, os dias a mais, a esperança, a tortura, o belo, o infinito... E ouvir os CD's por mais exaustivo que seja, pela repetição, nos trás sempre o que sentimos da primeira vez. E as figuras e imagens que vêm às nossas cabeças.
Você desenha?
Eu sim. E tenho desenhado muito. Aprendi muito em pouco tempo e continuo melhorando. Desenho paisagens, edifícios, sombras e luz. Nas mãos o lápis, a caneta, o carvão, a tinta, as canetas e lápis de cor, o papel. O traço reflete minhas intenções, as cores, minhas emoções, a luz e a sombra mostram meus pensamentos.
Só pela empatia a arte tem serventia. Tanto a arte consumida, quanto a produzida nos faz lembrar de momentos. A vida, e aí, é isso, são os momentos. E cada um tem seu cheiro, cor, som, sabor e sentimentos. Por isso tudo vale, se o que quisermos for viver.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Poema do ano

E quando tudo era perfeito
Ou quando tudo era errado
Quando éramos iguais
Ou estávamos despreparados
Se eu tinha tudo em mãos
era às vezes desperdiçado
Mas não se deixe permitir
Porque tudo pode estar parado

Esqueço o que a dor é
Qual seria sua tormenta
Sua forma de prazer
Sua água benta
Quantos fazem o amor parar
e quem a própria dor arrebenta
pode ser que um dia acabe
Ou pelo menos é o que se tenta

Sabe o odor do ofício?
O cheiro de mesmo
O cheiro do vício?
Pois é o que me corrói aqui
Mas enfim, o que me faz seguir
Tolerância em dobro não é virtude
Antes é preguiça
Minhas areias-movediças

Soro de hospital
Sonho de natal
Vésperas de ano novo
Meu fígado é de um corvo
Sério e sem graça
Digo, desgraça
Porque não há mal nenhum
No fim de tudo, sem motivos não rimar

Do entardecer...

Do entardecer...

Ao amanhecer

Ao amanhecer