domingo, 12 de julho de 2009

Receita de Domingo à noite

- Fique um fim de semana sozinho em casa;
- Coma o arroz que sobrou de sábado no almoço,sem deixar para a janta;
- Abra a geladeira durante a tarde toda, achando que vai encontrar alguma coisa que não seja feijão e o frango ensopado de sexta, talvez de quinta;
- Frite um ovo às 18:00hs;
- Esteja morto de fome meia hora depois;
- Lembre-se às 21:30hs que você tem guardado no armário da cozinha um pacote de miojo;
- Pegue o frango na geladeira, despeje-o gelado (o molho dele deve estar em estado de gel, parecendo geléia de mocotó ou algo pior) no prato usado no almoço;
- Use a panela onde estava o frango para ferver água;
- jogue o compensado de massa, o kinojo, na panela, espirrando água fervente no próprio braço;
- Pense em fazer o melhor prato possível com o que tem, e faça o pior:
- Jogue fora um pouco da água;
- Ponha por cima no macarrão o frango que estava no prato;
- Deixe cozinhando mais um pouco, pensando em como deve ficar bom um macarrão com franguinho bem temperado;
- Abra a panela e perceba que era pra ter jogado mais água fora, ainda mais porque o molho do frango agora também se liquefez;
- Sinta-se orgulhoso por nem ter pensado no feijão já citado ao preparar a refeição;
- Desconsiderando todo o bom senso, despeje todo o conteúdo da panela no prato, ao invés de na lixeira;
- Deixe transbordar na pia um pouco da água de óleo em que se transformou o molho;
- Coma e perceba que uma canja de frango velho com miojo não fica de todo mal, exceto pelo fato que você fez demais, enjoou e pra disfarçar, abriu a página do seu blog para escrever a primeira coisa que viesse na cabeça: tal receita.

P.S.: Essa é a receita tradicional. Para dar um toque especial, continue escrevendo mais um pouco até a lavagem esfriar e sirva aos cachorros que, coitados, estão farejando o ar desde que você começou tudo isso.
Segunda-feira, pela manhã, lembre-se de ir limpar o possível vômito dos cães. A lixeira era a melhor opção, realmente.

sábado, 11 de julho de 2009

Quem sabe?

Poderia ir pra longe
Quem sabe
Ir pra londres, viajar
Ver o frio
Ver os outros, quem sabe

Quem sabe ser também
Um ser de grandes forças
Grandes braços pra alcançar
Uma nova lembrança
Onde estão outros sonhos
Uns de medo, uns de desejo
Quem sabe?

Tomo um cálice
Dessa bebida servida
Com classe
Com ternura
Feita pra mim
Escura
Beber de tudo
Como o fim do mundo
Que engole
Oceanos, terras e ares

Quem sabe viver de uma vez só?

Como quem não tem o que perder
De uma vez absoluta, absurda
Sem razão, motivo ou propósito
Feito um furacão
Que devora o mundo
Parecendo o fim de tudo

Quem sabe criar, mudar, volver e ficar?

Mostro as cartas dos outros
Mostro a mentira lavada
Escorrida
Mostro o que há atrás e ainda
Não mostro o que quero

Quem sabe um dia saber um pouco?

Tendo as pupilas entornando paixão
Vendo e revendo meus melhores dias
Acabando com todas as ilusões que fiz
E sobrevivendo

Quem sabe morrer feliz?

Partir daqui, ser um monstro
Um Balão, uma abelha, um papagaio
Um torresmo de esquina
Um átomo só

E eu sei?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Encontrei o Jazz numa sala de espera. Como sempre, sua cara era a do século 20, na verdade o meu século. No ato de espera, não ouço palavras, escrevo-as então no caderno. O fato presente se mantém inalterado. O som ambiente são vozes, mas não palavras, não as ouço, suponho que estão sendo usadas somente. Som ambiente e música ambiente, eu à espera, o mundo ainda anda.
Você está parado observando Miró, algo rasgante para o seu dia-a-dia. Está desesperado por seguir em frente sem saber pra onde. dezenas de metros te separam da rua, está alto, você sabe, mas não concebe de fato a situação. Duas plantas superficiais te fazem compania, no vaso e no quadro, outro que não o Miró. Em outra planta você se encontra, na planta do prédio em que você está. E a planta do pé que encosta na meia que encosta no tênis que encosta no carpete que encosta no piso que faz divisa com o teto, que por sua natureza, encosta no ar que alguém respira, ou não, por não estar presente, ou vivente. As pessoas morrem, você sabe, mas não concebe de fato, uma pode pode estar morta agora abaixo de você e você sem se dar conta.
Estamos aqui no mesmo lugar na mesma sala, a esperar conforme o ambiente se chama, sala de espera; Você a ler, cética, eu a escrever, insano, louco. Eu querendo ter mais uma palavra, você querendo me ter.

O louco sou eu
O louco é você
Uma cadeira vazia
Na outra dividimos
Um corpo só.

..continuo sozinho, à espera. jazzportapessoasdoutorcabeçacadernopalavrasmentementirassozinhocadeirasinsanocarpetecoçeiramaçanetaplantamãosmaneiras vou sair daqui enquanto posso

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vontade e Querer




















Um vácuo no tempo desde a última postagem. Pouca coisa aconteceu, muita coisa mudou. Ou o contrário.

São nossos medos que agem através de nós, por isso a confusão. As flores do meu jardim jazem misturadas loucas, se proliferaram no gramado, nasceram no espaço das outras, buscando com o caos, o equilíbrio. Meu jardim, meus pensamentos, são flores minhas paixões.

O gato branco de olhos escuros ou então agora, cores vertidas em seu revés, força no olhar, aptidão para a caça. Como ele não somos, mas não tendo atrás de nós caçadores, caça não somos também. E quando não houver mais saída alguma, teremos chegado onde havíamos de chegar. O pote está vedado, mas é só quebrá-lo. A força para erguê-lo não é suficiente, quanto mais para jogá-lo ao chão. Sendo então cães no asfalto, a se esquentarem sob o Sol, perdem o olfato do perigo, não aprenderam a voar, preguiçosos. Desaprendendo a querer, se aprende a esquecer, não resta nem o esperar. Esperança que morre já de início, deixando ainda cheia de vigor a tristeza, a apatia, a doença.
Continuo perdido, fuçando tudo, apesar de tudo. O gato que não descansa, que não pisca, não move um músculo, está numa fotografia, não no mundo real. Seu pêlo é branco, sua vida está de mudança, a paisagem já tem outros gatos, ou não tem nada, só neve branca, ou fogo, ou ar, ou nada mesmo. Teimo em olhar tudo como fato presente, sólido concreto, opaco e tangível, louco sou eu. Quero-te viva, não entende?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

não tenho tempo...


... e amanhã era o seu dia.

domingo, 7 de junho de 2009

"A novidade era o máximo..."(Paralamas)

Descobri (ou finalmente soube colocar em palavras) ue sou movido pelo desconhecido. Aproveitando que está à minha disposição uma coleção de jazz, estou aprendendo a gostar da sonoridade que há nesse estilo musical. Vez ou outra, puxo um dos CD's sem prestar atenção em qual álbum é e deixo tocando, enquanto faço outras coisas, dentre elas, escrever (como, aliás, estou fazendo). O som de um sopro mudo junto às notas tocadas do sax é como aquela voz bem ao pé do ouvido, bem respirada e íntima. O baixo acústico soa solto pela música tanto rítmica, quanto harmonicamente. Aquela nota quase afinada, quase no compasso faz a música ter um som único. Enfim, algo bom de se conhecer.
Quando se descobre o prazer em apreciar algo que nunca ouviu, parece que se torna um vício. O que o ouvido já se acostumou, passa a desinteressar. Lógico, há músicas prediletas que nunca vão deixar de ter valor pra mim. Mas é só um caso a parte. Experimentar essa sensação de não saber exatamente o que será ouvido após uma nota de uma música é como conhecer uma pessoa. Tudo o que ela apresenta é observado, até analisado, mesmo que se trate de uma análise não proposital. Depois de se quebrar preconceitos que vêm à tona incondicionalmente, esse alguém que se desconhece passa a ser uma fonte de novidade intensa. Assim é com a música. Posso até ouvir uns acordes iniciais e supor que nunca tirarei algo de iteressante da música que esteja tocando. Porém, quando se deixa falar, ela sempre conta algo que nunca eu havia ouvido. Pode ser algo que não me agrade no fim das contas, mas sempre vale a pena. Só não pode ter alma pequena.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Carta de Amor

Minha querida,
você não tinha partido? E aqui está você me pregando mais uma peça, me deixando sem chão, de novo. Onde é que eu estive antes de entrar nessa não sei, mas sei que vou me perder sempre. Como eu queria que você estivesse aqui, você nunca está. Você não é ninguém, é todas, você nunca está.
Te adoro, mas porque? Porque não sei outra forma de ser/pensar/agir, é impossível. Não necessariamente uma obrigação, mais uma necessidade ou mesmo compulsão. Sabe, te amo. Sou apaixonado por você, te adoro demais, em excesso, você sabe. Sou tudo se estou com você, passo a admirar as cores de todas as coisas, as nuances dos gestos, os sabores na minha boca, minha parte do corpo reservada para sempre a você. Sinto sempre a sua falta, perco a noção dos erros que cometo, não tenho nem identidade. Meus poros ficam abertos, sem restrição a nada, fico torto, amorfo mas te amo ainda sim. Aliás, mais do que nunca te amo.
Meus dedos te buscam toda manhã escura na cama, sinto seu corpo encostado em mim, chego a perceber seus mínimos movimentos ao acordar. Depois, você está andando ao meu lado, no caminho da minha rotina, ouço seus passos, vejo movimentar-se pelo canto dos meus olhos. O silencio soa, ouço sua voz languidamente recitando uma coisa qualquer em meu ouvido. Minha chegada à noite é recebida com seus abraços, seus beijos, me busca, se dá. durmo lembrando do gosto da sua boca mordida.
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Há muito tempo que você não está aqui e por completo nunca esteve. Sabe que te quero a cada segundo, lembro de você desde sempre. A primeira vez que te vi só serviu pra aguçar a lembrança. Estava lá durante a infância, durante a juventude e durante a morte estará.
Você são muitas, são todas as que mexeram comigo, falo aqui de todas as minhas paixões que cada vez mais enchem minha alma e incham meu coração. Não havendo mais espaço, mais uma vem e se ajeita, já há tempos não sei como, nem aonde. Mas está lá, do lado da que eu pensava nem mais dar as caras por aqui. Dói demais esse aumento incontrolável no meu peito. Não venha com mais tantas outras suas, por favor. Pare por aí, no máximo mais uma, mas uma que me guarde dessa vez como a guardarei.
Com amor sempre,
seu Eu.

Do entardecer...

Do entardecer...

Ao amanhecer

Ao amanhecer